NOTÍCIA
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19 de maro de 2018

Era o segundo tempo do jogo. A partida estava muito truncada e com lances de ataque para ambos os lados. Cada ida ao ataque, de cada um dos times, era uma palpitação intensa que me dava. Num lançamento repentino – que até agora não sei bem quem o fez –, a bola encontrou Carlinhos. Ele, que há pouco havia entrado, recebera a oportunidade da consagração. Deus do céu! Era o prelúdio do gol, do êxtase. O murmúrio da arquibancada num instante se tornou um grito uníssono de incentivo para o atacante. “VAI, CARLINHOS, SER GAUCHE NO JOGO!”, Drummond gritou da sua cadeira numerada na eternidade.

Ele correu. À frente, apenas o arqueiro adversário. Em seu encalço, um zagueiro obstinado. Mas Carlinhos correu, pouco equilibrado. O som da torcida tornou-se um misto de “vai!” e de “cuidado!” e de “ladrão!” – também não sei bem o que gritei. Foram segundos que duraram certa eternidade. A bola chegou aos pés de Carlinhos como num susto. Mas havia chegado e, por isso, ele precisava conduzi-la rumo à meta. Todos se levantaram. A distancia entre Carlinhos e o gol já era curta. Já era tempo de chutar. Um forte balaço. Uma cavadinha. Um chute preciso no contrapé do goleiro. Um toque com efeito, no canto, para raspar a tinta da trave e entrar. Carlinhos precisava decidir o quanto antes. Já!

Carlinhos não decidiu. Ou talvez o tenha. Não sei bem. A bola, simplesmente, não entrou. Não entrou mesmo. O zagueiro adversário em sua sanha desesperada de evitar o gol foi bem sucedido na perseguição. “Para que tanta perna, meu Deus”, pergunta-se Drummond. Talvez se os gritos não estivessem confusos, indecisos no que dizer. Talvez se Carlinhos não tivesse pensado em tantas opções. Talvez se... como saber!? A torcida se entreolhava incrédula, atônita, frustrada.

A partida terminou empatada. O gol que não aconteceu continua preso, engasgado na garganta. E, como bem poderia dizer o Carlos, no caso, o Drummond, “eu não devia te dizer, mas essa torcida, mas esse Sergipe, botam a gente comovido como o diabo”!

Gustavo Tenório.