NOTÍCIA
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16 de maro de 2018

Falta pouco para o clássico. E como de costume, vim ao João Hora para assistir ao rachão pré jogo. Não sei se estou nervoso ou apenas ansioso. Provavelmente, as duas coisas. O certo é que a minha concentração se faz nula. Diante deste quadro inalterável, só me restou sair mais cedo do escritório. Tomei a Avenida da Explosão, rumo à Avenida Rio de Janeiro, parando, primeiro, na calçada de uma Senhorinha do bairro que vende seu milho assado na brasa. É justamente nessas ocasiões que procuro sentar-me à sombra de uma das arvores que circundam o campo principal do João Hora.

São os famosos pés-de-mata-fome, típicos e numerosos em nossa cidade. Os daqui, do Mundão, já presenciaram muitos treinos; já testemunharam belos lances de craques eternos. Como também já escutaram muitas conversas e devaneios, do mais assíduo ao mais sazonal frequentador do João Hora. Além, claro, de confidenciarem os maiores segredos táticos confabulados entre treinadores e atletas. Talvez por isso o silencio absoluto dessas gigantes. Quebrado, apenas, quando um vento repentino lhes faz cócegas: que é quando seus ramos e folhas disfarçam um discurso desinteressado ou dissimulado. Suavemente, com essa resposta, os torcedores se fazem mais tranquilos e menos apreensivos para domingo. É uma verdadeira terapia para os torcedores mais inquietos e irrequietos. Somente as árvores do João Hora para acalmar a ansiedade pré clássico. Só lamento o fato de elas não poderem ir ao Batistão domingo. 

Gustavo Tenório